O tempo convive com as pedras dentro de mim. Não como algo negativo. Porque pedra pode transmitir essa impressão por ser dura, por ser matéria pesada e incompreendida. Já não tenho mais as montanhas rochosas de antes. Agora me restam apenas as pedras que de alguma forma, juntas calçam o meu caminho. Para onde, não se sabe. A direção pode ser a do vento amorfo e incógnita. Há dez anos essa pedras eram gritos.
Os gritos cessaram. Me restam as pedras rochosas acomodadas silenciosamente bem aqui, entre as minhas particularidades. Com elas eu vou a opera. Eu as levo ao cinema. Tomo café da manhã. Pão com manteiga. Elas são a rotina com hora marcada. São a parte finita da montanha que antes parecia impossível. Agora estão assim. Simplificadas em algo pessoal que somente elas conhecem. Digo que somente elas sabem porque eu não sei como é se sentir assim. Uma pedra. Uma coisa enigmática. Antes tão presas as profunzedas líquidas do magma da terra, agora soltas em uma superfície interior irreconhecível.
Meu amor, fique com uma delas. Leve ao menos uma delas com você. Faça ela se sentir leve. Liquefeita. Me ajude. Leve com você uma delas ao teatro. A um passeio na calçada em um desses domingos com os seus amigos. Vá com ela a até uma roda gigante e deixe que ela sinta o seu medo de altura e sinta a sua respiração presa por alguns segundos. Dê a ela um giro em uma impossibilidade possível. Ame-a. Recite para ela os poemas que você gosta e que eu nunca tive paciência de ouvir.
Dê a essa rocha que não pensa e existe um dia feliz. Faça isso por mim e depois de oferecer a ela um mundo de coisas humanas possíveis, segure ela bem firme em sua mão e a lance ao mar durante o por do sol.
Mostre a ela que a vida é um susto.
Os gritos cessaram. Me restam as pedras rochosas acomodadas silenciosamente bem aqui, entre as minhas particularidades. Com elas eu vou a opera. Eu as levo ao cinema. Tomo café da manhã. Pão com manteiga. Elas são a rotina com hora marcada. São a parte finita da montanha que antes parecia impossível. Agora estão assim. Simplificadas em algo pessoal que somente elas conhecem. Digo que somente elas sabem porque eu não sei como é se sentir assim. Uma pedra. Uma coisa enigmática. Antes tão presas as profunzedas líquidas do magma da terra, agora soltas em uma superfície interior irreconhecível.
Meu amor, fique com uma delas. Leve ao menos uma delas com você. Faça ela se sentir leve. Liquefeita. Me ajude. Leve com você uma delas ao teatro. A um passeio na calçada em um desses domingos com os seus amigos. Vá com ela a até uma roda gigante e deixe que ela sinta o seu medo de altura e sinta a sua respiração presa por alguns segundos. Dê a ela um giro em uma impossibilidade possível. Ame-a. Recite para ela os poemas que você gosta e que eu nunca tive paciência de ouvir.
Dê a essa rocha que não pensa e existe um dia feliz. Faça isso por mim e depois de oferecer a ela um mundo de coisas humanas possíveis, segure ela bem firme em sua mão e a lance ao mar durante o por do sol.
Mostre a ela que a vida é um susto.


4 macro opiniões...:
Amei o texto, nunca tinha pensado nas "pedras" dessa forma...
Bjks.
Se nada tivesse valido a pena na faculdade de Letras, você teria valido a pena certamente. A nossa amizade teria valido cada desaforo daquela época em que cada um carregava consigo seu particular universo de pedras.
Aplausos!!!
Pedra que rola nao cria limo!!!
Feliz Ano Novo, my dear.
Abracos
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