terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Desventuras Em Série

O dia 11/01 nunca foi tão difícil. Ainda bem que isso acontece apenas uma vez por ano. E ano que vem, eu espero, não vai ter nenhuma repórter completamente descontextualizada no meu caminho.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dá pra mim?

Sonho lascivamente no dia quem que poderei adquirir coisas internacionais assim. Eu me daria de presente esses sapatos Kris Van Assche e seria agressivamente feliz.


Porque eu sou simples.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O Fabuloso Destino de Frederico Poulain

Nesse aniversário, por favor:

"Não me prometa montanhas porque eu prefiro a simplicidade objetiva das planícies."


2010 - Um HD Fudido no Espaço

Acordei hoje em um dia de folga merecida do meu trabalho. Não consigo dormir além das 9h da manhã. Irritante acordar e não conseguir voltar a dormir, a minha natureza interna de sensações me impõe limites assim agora. Se eu dormir demais me acho um imbecil improdutivo mesmo que não esteja fazendo nada além de estar apenas acordado. Nesse exato momento, neste domingo que antecede o dia do meu aniversário, estou em frente o meu computador e com o meu notebook no colo enquanto um programa chamado PC INSPECTOR analisa o meu HD.

A vida está muito difícil sem as minhas coisas. É muito fácil para as outras pessoas perguntarem: Você não tinha um backup? Gente, bem que eu gostaria de fazer. Mas vamos ser objetivos. Ter o backup de um HD de 700GB equivale a ter um outro HD do mesmo tamanho. Nunca, nem nos meus sonhos mais selvagens eu poderia imaginar que eu seria vítima de uma desgraça nesse nível atômico. Minha nova obsessão agora será colecionar HD’s.

Ontem eu até tive que sair para beber um pouco, sabe. Afinal, uma pessoa havia morrido (meu HD). Sai com a Malu e com o Bernardo que me perguntaram também se eu não havia feito um backup dos meus arquivos. Eles são pessoas muito bacaninhas, mas não entendem nada da vida quando o assunto envolve Bytes, Kbps, Motherboards e afins... Não que eu seja um expert, mas nunca precisei de um técnico de informática para nada. Às vezes até dou risada da incompetência deles, sabe. E agora estou sob esse suspense enquanto escrevo. O PC INSPECTOR me informa:

Finding Lost Data – Please Wait...
Time Left: 158 minutes(s)

Enfim, pode ser que eu não consiga recuperar nada e tenha que reconstruir toda a minha vida novamente. Todos os meus textos digitados desde 1999. Todos os meus desenhos scaneados e arquivados, todas as minhas fotos, minhas músicas, meus filmes, comprovantes de pagamento... Ai meu Deus... Estou sendo punido por ser soberbo? Tem tanto fuleiro que não faz backup e passa a vida com o HD intacto! Porque eu?!

Ok, parei... Não vou fazer uma música e dançar por causa disso. Se o destino dos peixes é morrer por afogamento, nada tenho a ver com isso. Preciso focar agora na atual situação real das coisas. Nunca mais verei minhas coisinhas de novo. Bytes mortos e enterrados. Lição de 2010: revelar todas as fotos, gravar todas as músicas em CDs, imprimir e arquivar tudo o que for escrito por mim. Para todo o sempre. Amém.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Amor-Neutro

Existem perguntas que nunca terão resposta ou nunca chegarão a tempo. Eu busco uma simplicidade que me parece impossível de ser atingida. Não tenho a menor habilidade de negociar comigo mesmo um caminho mais fácil em busca do neutro, das respostas, da bússola mágica que vai me guiar. Hoje eu acordei e notei que a mão que me segurava me abandonou. Estou solto em pleno oceano e ninguém pode me ouvir. E se eu morrer? Se eu morrer em pleno mar meu corpo vai afundar e cavar um buraco nas profundezas do oceano. E desse buraco vai surgir uma estrada líquida e sinuosa.
(Era mais ou menos isso, Mr. Doc.)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Meu HD, Minha Vida

Estranho imaginar como hoje em dia eu me tornei tão dependente de bytes e kbps. Estranho imaginar que um dia eu me sentiria desolado pela perda de músicas, arquivos de foto e texto, filmes que demorei anos para juntar e catalogar, mas que nunca existiram fisicamente. Talvez eu nunca consiga recuperar esses dados e me sinto como se toda uma vida tivesse deixado de existir. É como se alguém que eu conhecesse acabasse de morrer.

Janeiro está assim: um mês insuportavelmente quente. Incidentes diabólicos. Sabobagens pessoais. O gosto do vivo está quase nulo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

About To Get Older

It doesn't matter how older I get I still feel the same 6 year old kid who once fell inside a sewerage system while I was trying to impress my mother trying to make her change her mind into staying at home with me instead of going to work. I was 6 years old in an afternoon of 1987 when I was spinning very fast on the street in front of my house. Inside my head and on the tip of my lips I was humming almost silently "mommy, don't leave, don't leave me...". There's was no sun. I was a very comfortable cloudy afternoon. I was spinning with my eyes closed. I was feeding myself from the that dizzy sensation. From the sound of the street. From the sound of my won steps when suddenly it all got dark and humid.
Even thought I had my eyes already opened I was so dizzy that I could not focus on anything. For some moment I kept quiet before I realized what happened and then start crying. I wasn't tall enough to get out. All I could do was look up and wonder if anybody would ever see me inside the sewerage system and take me out. I spent just a couple of minutes there. But it felt like years until a neighbour took me out.
After 22 years, today I still feel like that kid in size and heart. Still have my parents around, same caracters, different meaning now. Guiding me in my own terms and social limitations... and capable to love the way I am.
But right now it is not about rescue or love. It is about direction. This year began and have this urgency to move. To find another home and finally let me go into something new. I need movement.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Liberdade às Pedras

O tempo convive com as pedras dentro de mim. Não como algo negativo. Porque pedra pode transmitir essa impressão por ser dura, por ser matéria pesada e incompreendida. Já não tenho mais as montanhas rochosas de antes. Agora me restam apenas as pedras que de alguma forma, juntas calçam o meu caminho. Para onde, não se sabe. A direção pode ser a do vento amorfo e incógnita. Há dez anos essa pedras eram gritos.
Os gritos cessaram. Me restam as pedras rochosas acomodadas silenciosamente bem aqui, entre as minhas particularidades. Com elas eu vou a opera. Eu as levo ao cinema. Tomo café da manhã. Pão com manteiga. Elas são a rotina com hora marcada. São a parte finita da montanha que antes parecia impossível. Agora estão assim. Simplificadas em algo pessoal que somente elas conhecem. Digo que somente elas sabem porque eu não sei como é se sentir assim. Uma pedra. Uma coisa enigmática. Antes tão presas as profunzedas líquidas do magma da terra, agora soltas em uma superfície interior irreconhecível.
Meu amor, fique com uma delas. Leve ao menos uma delas com você. Faça ela se sentir leve. Liquefeita. Me ajude. Leve com você uma delas ao teatro. A um passeio na calçada em um desses domingos com os seus amigos. Vá com ela a até uma roda gigante e deixe que ela sinta o seu medo de altura e sinta a sua respiração presa por alguns segundos. Dê a ela um giro em uma impossibilidade possível. Ame-a. Recite para ela os poemas que você gosta e que eu nunca tive paciência de ouvir.
Dê a essa rocha que não pensa e existe um dia feliz. Faça isso por mim e depois de oferecer a ela um mundo de coisas humanas possíveis, segure ela bem firme em sua mão e a lance ao mar durante o por do sol.
Mostre a ela que a vida é um susto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Resposta ao Orkut: quem sou eu?

Não vou começar pelo começo. Eu já nasci pelo meio e bem próximo ao fim de alguma coisa. Não que isso seja uma coisa ruim, mas existem coisas que não podem ser alteradas. Não vivo a vida intensamente, seja lá que diabos signifique viver intensamente os ‘momento da vida’. Apenas vivo e isso é o suficiente. Sou simples, gosto de coisas simples. Gosto de descobrir as coisas por mim mesmo. Sou autodidata. Não sei nadar. Piscina me causa calafrios. Não sei dirigir. Não gosto de dias ensolarados e tomar banho de sol definitivamente não está nos meus planos. Boate me deixa extremamente desconfortável. Não sou sociável a primeira vista. Falo pouco e escuto muito. Meus amigos são extrovertidos. Tenho dificuldade em expressar sentimentos e lidar com perdas. Não sei perdoar quem me magoa. Louco por música e filmes. Adoro teatro. Escrevo para mim mesmo desde os 15 anos. Só consigo dormir bem na minha casa e na minha própria cama. Não sei dividir minhas coisas. Lavo e passo as minhas roupas. Só sei fazer bolo de chocolate porque gosto apenas de bolo de chocolate. Escondo chocolate no meu quarto pra comer sozinho. Ouço música clássica lendo Clarice. Ouço rock quando estou desenhando. Ouço a voz de quem gosto quando escrevo carta ou e-mail. Não sei ser romântico. Choro com filmes. Choro com músicas. Choro com livros. Tem coisas que só a Fran sabe porque ela é a minha caixa-preta. ODEIO amigo oculto e qualquer outra coisa parecida com isso. Não vou a festas de aniversários, churrascos de final de semana e casamentos (não inssista). Natal e Ano Novo valem a pena por causa da comida. Não saio de casa sem Neosaldina dentro da mochila. Acordar cedo é um desafio diário. Fazer a barba me deixa tenso. Animais de estimação me incomodam. Filhos de parentes sábado de manhã na minha casa também me incomodam. Não cresci com tios, primos e avós por perto. Definitivamente não sei abraçar as pessoas. Fico sem reação ao ver outra pessoa chorar na minha frente. Um dia ainda vou mandar flores pra alguém. Queria ter a capacidade de me despedir das pessoas com palavras de carinho sempre como se não houvesse amanhã. Morro de medo de desapontar quem gosta de mim. Conhecer e conviver com as pessoas vai ser sempre o meu maior temor e êxtase.

01/09/09

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu, Eu Mesmo e Greta Garbo...

Durante as férias eu comecei a ler a biografia da Greta Garbo, escrita por Barry Paris, e ao longo da leitura eu fazia pequenas anotações. Mas foi uma citação na pag. 408 que chamou a minha atenção. Nessa passagem, Garbo, ja depois de reclusa no trabalho com o cinema, em uma tarde de sol na Suiça, diz ter sido adotada por uma mosca. Vou transcrever aqui:

"Aconteceu uma coisa muito estranha na última vez. Ninguém acreditaria, mas o casal que faz as refeições comigo testemunhou. Fui adotada por uma mosca - sim senhor, na sala de jantar do hotel. Todas as vezes que eu me sentava, ele vinha voar em cima de mim. As primeiras vezes eu o enxotei, mas ele voltava e não tentava me morder nem nada, só queria ser meu amigo! Então deixei a mosca em paz e ele fazia gracinhas pra mim - o casal ficou pasmo, é serio. Pousava na palma da minha mão, eu fechava e abria, e não ia embora. Pulava de dedo em dedo - era um acrobata. Por que acho q era um 'ele'? Aposto que era. Todo dia vinha brincar comigo. Era espantoso. Um dia não veio mais. Acho que alguém o matou. Os suiços não gostam de moscas em restaurantes, nem as de estimação. Fiquei triste, porque perdi um amigo."

Eu sei que parece bobagem, mas as vezes eu também quebro o tédio as vezes com pequenos acontecimentos existências.

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